Assista Viagem à Lua (1902) em cores

Atenção: a versão colorida do filme que estava disponível nessa página foi retirada do YouTube.

O primeiro título apresentado no livro 1001 filmes para ver antes de morrer é Viagem à Lua (Le Voyage dans la Lune, 1902), de Georges Méliès. A obra está em domínio público e pode ser facilmente encontrada, em diversas versões.

Restauração colorida

Abaixo, você pode assistir uma versão em cores, restaurada entre 2010 e 2011 por Serge Bromberg e Eric Lange, da Lobster Films; Gilles Duval, da Fundação Groupama Gan para o Cinema; e Séverine Wemaere, da Fundação Technicolor para o Patrimônio do Cinema, com a participação da neta de Georges, Madeleine Malthête-Méliès, além da contribuição técnica dos Arquivos Franceses do Filme, parte do Centro Nacional do Cinema e da Imagem Animada (CNC), e da Technicolor. Há um vídeo da restauração disponível no YouTube, com música original de Air para acompanhar. Não há necessidade de legenda, pois não há comentários (como nessa versão, que recomendo conhecer justamente por causa das informações que oferece), mas há um letreiro, no início, para explicar, brevemente, as circunstâncias de restauração.

Eis a transcrição do letreiro inicial:

Em 1902, Georges Méliès roda Viagem à Lua. O filme é proposto em preto e branco, mas também em cores, pintado à mão. Ele roda o mundo todo. A versão colorida, durante muito tempo considerada perdida, é reencontrada em 1993 pela Filmoteca de Catalunya, em um estado crítico. A partir de 1999, começam trabalhos extremamente delicados para resgatar e digitalizar as imagens. É apenas em 2010 que uma restauração completa pôde ser lançada, permitindo ao público redescobrir essa obra maior do cinema, 109 anos depois de sua criação. As ferramentas digitais de hoje permitiram reunir novamente os fragmentos das 13.375 imagens do filme e restaurá-las, uma a uma. As imagens que faltam, que foram perdidas ou estavam muito degradadas, foram tomadas da versão em preto e branco, e depois colorizadas.

É no mínimo significativo que as tecnologias digitais tenham sido cruciais para a recuperação da versão colorida de Viagem à Lua, mais de um século depois de seu lançamento. Com efeito, a convergência digital parece conduzir a uma situação em que o cinema está, ao mesmo tempo, sob ameaça de desaparecer - ao menos sob a forma como foi praticado até meados do século XX, sobretudo antes do advento do vídeo - e em estado de renovação, sob a forma que as tecnologias digitais conferem a sua herança. O digital resguarda a possibilidade de (re)emergência do cinema, nos dois sentidos da palavra emergência: como estado de ressurgimento e como estado de crise.

Outras versões

Versão restaurada em preto e branco

Versão restaurada em preto e branco

Versão em preto e branco com comentários em voz over

Versão em preto e branco com comentários em voz over

Professor de história e teoria do cinema da Faculdade de Comunicação da UFBA, em Salvador. Nascido em São Paulo, de onde saiu aos 9 anos de idade, já morou em Brasília, em Florianópolis e em Montréal, além de Goiânia, onde vive atualmente. É pesquisador e crítico de cinema e cultura visual, programador e curador de mostras e festivais de cinema, doutor em Arte e Cultura Visual, com pesquisa sobre cinema e direitos humanos. É indeciso e nervoso, tenta ser leve e cuidadoso, consegue ser magro e comer muito.

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