Marcelo Ribeiro

Propostas para a Socine (2019-2021)

Marcelo Ribeiro

Sou candidato ao Conselho Deliberativo da Socine para o período de 2019 a 2021. As eleições ocorrem nos dias 9 e 10 de outubro, e são inteiramente online (não sendo necessário estar em Porto Alegre). Para votar, é preciso apenas ter a anuidade em dia.

De modo geral, o que penso para a entidade vale para o modo como encaro todo tipo de produção de conhecimento e pode ser condensado em um objetivo geral: a abertura como prática intelectual, crítica e criativa. Das políticas de acesso livre e aberto à produção bibliográfica e intelectual, que já são consagradas, de modo geral, no contexto brasileiro e na própria Socine, até possibilidades ainda não usualmente implementadas de revisão aberta (open review) e ciência aberta (open science), penso que a ideia geral que me orienta nessa candidatura é a da defesa de práticas abertas nas mais diversas instâncias. Além desse objetivo geral, algumas propostas podem detalhar o que penso e contribuir pra quem vai votar decidir se vota em mim.

1. Para garantir a efetividade da abertura como princípio geral, uma das propostas que me parece crucial é o apoio a que associados/as sem vínculo empregatício, mesmo que não sejam estudantes, paguem os mesmos valores pagos por pós-graduandos/as na anuidade e na inscrição nos Encontros anuais da Socine. Além disso, me parece importante debater a possibilidade de critérios adicionais de renda na definição dos valores, diferenciando faixas. Penso que, adotando-se critérios unificados, como tem sido o caso até agora, ou elaborando critérios por faixa de renda e afins (a serem debatidos, com base em estudos de viabilidade), é necessário estabelecer uma política inclusiva para anuidades e valores de inscrição, destinada a impedir que a participação nas atividades da Socine seja reduzida e prejudicada pelos efeitos das atuais formas de precarização das condições de trabalho em docência e pesquisa, assim como no campo do audiovisual, no Brasil. Penso também que é importante inscrever esse tipo de política no Estatuto da entidade.

2. No que concerne aos Encontros anuais da Socine, penso que é crucial manter e aprimorar o funcionamento dos Seminários Temáticos. A construção de espaços de debate cíclicos e, ao mesmo tempo, renováveis tem caracterizado o que a entidade consagrou em seus últimos encontros, e as experiências têm sido muito ricas. O que me parece importante é pensar em formas de melhorar as condições de diálogo dentro de cada ST, seja atentando para questões de organização de tempo e formatos de exposição das comunicações, seja por meio de outras maneiras de aprofundar e desdobrar os diálogos antes e depois dos encontros. Nesse sentido, penso que é interessante propor e discutir a viabilidade de sistemas de pareceres entre participantes de STs. Também é crucial assegurar que os diálogos sejam orientados ao máximo pela qualidade das propostas apresentadas, e não por critérios formais como a titulação dos/as participantes; nesse sentido (e considerando que tive a oportunidade, na década passada, de participar de sessões com doutores quando eu ainda era mestrando e fui bastante beneficiado por isso), defendo a ampliação das possibilidades de participação de mestrandos/as. Uma das formas de assegurar que isso ocorra é desfazer a diferença entre sessões de ST (com apresentações de 15 minutos, excluindo mestrandos/as) e painéis (com apresentações de 10 minutos, acolhendo mestrandos/as). Outra maneira é manter a diferença de tipo de apresentação (15 minutos para doutores/as, doutorandos/as e mestres; 10 minutos para mestrandos/as; ou algo nessa linha, a definir), mas misturar as modalidades nas mesmas sessões, permitindo que o diálogo atravesse as diferentes modalidades de apresentação e estimulando o contato entre pessoas em diferentes níveis dos estratos acadêmicos. Outra possibilidade é manter sessões e painéis separados, mas encontrar formas de estimular a participação cruzada entre as instâncias. De modo geral, a ideia é que seja possível a qualquer participante dialogar com qualquer outro/a participante das atividades da Socine, e que os eixos de diálogo sejam favorecidos e multiplicados pelos formatos das apresentações e sessões.

3. No que concerne às publicações da Socine, penso que é importante propor estudos de viabilidade sobre ampliações e aprofundamentos no uso de sistemas abertos de avaliação por pares (open review) e de diálogo após a publicação. Nos dois casos, proponho que padrões associados aos paradigmas do comum, como licenças Creative Commons, e da ciência aberta (open science) sejam mais amplamente estudados, adotados e explorados em diferentes instâncias. Para dar um exemplo, uma das possibilidades consiste na introdução dos recursos da Hypothes.is como plataforma para a avaliação por pares na Rebeca (seja mantendo o atual formato de avaliações cegas, seja adotando, como prefiro, o modelo da revisão aberta [open review]). A mesma plataforma pode ser implementada, com grandes benefícios, para estabelecer diversas dinâmicas de anotações e diálogos sobre artigos e todo tipo de publicação.

Entendo que as propostas acima devem ser amplamente debatidas nos fóruns da Socine, alguns dos quais ultrapassam amplamente o âmbito de atuação de um Conselheiro Deliberativo, por si só, mas me parece que se deve começar em algum lugar com propostas concretas e baseadas em um engajamento explícito, consciente e reflexivo nas práticas da abertura mais radical para o diálogo e a construção colaborativa do conhecimento. No passado, algumas das ideias que tentei explicitar nessas propostas foram parcialmente indicadas - ou tenuemente sugeridas - em reflexões que publiquei no Facebook ou no meu site. Tais reflexões sugerem o teor geral da minha maneira de pensar sobre questões pertinentes à Socine, por isso as listo a seguir também:

1. Sobre acesso livre às atividades dos eventos: https://www.facebook.com/100001292558687/posts/2023228481063551

2. Sobre formatos, demandas de tempo e possibilidades de diálogo: https://www.incinerrante.com/textos/partilhar-o-tempo-partilhar-o-pensamento-socine2017

3. Sobre avaliação por pares, diálogos e abertura: https://www.incinerrante.com/textos/dialogos-sobre-producao-academica

Sou professor de história e teoria do cinema da Faculdade de Comunicação da UFBA, em Salvador, desde maio de 2017. Criei o incinerrante em setembro de 2009, e desde então o site abriga alguns traços das minhas atividades como professor, pesquisador, crítico, curador e programador. Também criei, junto com a minha companheira, a Juliana (<3), um projeto chamado a quem interessar possa, que a gente começou em abril de 2016. Se quiser saber mais sobre mim, pode começar com a breve apresentação e os links que coloquei aqui.