Como o audiovisual pode ajudar os Guarani Kaiowá

O projeto Vídeo nas Aldeias, criado em 1986, iniciou uma campanha importantíssima no Catarse, que é uma plataforma de financiamento coletivo (crowdfunding, no termo em inglês) de projetos criativos. Caso o mínimo de R$ 80.000 seja alcançado (ATUALIZAÇÃO em 02/01/2014: o valor foi alcançado), os recursos do financiamento serão destinados a dois objetivos:

  1. Concluir o longa-metragem Martírio, que já está em produção.
  2. Realizar oficinas e fornecer câmeras de vídeo aos Guarani Kaiowá.

Em ambos os casos, a ideia é contribuir para a luta pelos direitos humanos dos indígenas, que se encontram ameaçados de forma cada vez mais crítica, em decorrência de décadas de expropriação de terras por fazendeiros.

Atualmente, as pressões do lobby ruralista no Congresso Nacional, com a conivência e o apoio do Governo Federal conduzido por Dilma Rousseff, têm assegurado que os Guarani Kaiowá permaneçam em situação de crescente vulnerabilidade, sem quaisquer garantias de direitos básicos, diante da expansão cada vez mais ampla do agronegócio no Mato Grosso do Sul.

As distorções que predominam na cobertura jornalística da situação dos Guarani Kaiowá transformam-nos em invasores de suas próprias terras, realizando e confirmando, no universo das imagens, a expropriação territorial, como indica o vídeo de apresentação do projeto, que você pode ver abaixo ou na página do projeto no Catarse, que contém ainda informações mais detalhadas sobre a situação atual, sobre o planejamento do projeto e sobre as recompensas para apoiadores.

Disputas de imagens: representação e mediação

As disputas territoriais, que envolvem assassinatos de lideranças e de membros das comunidades de diversas áreas indígenas, são indissociáveis de disputas em torno das imagens. Essas disputas, que envolvem a (in)visibilidade pública das temáticas atuais, dividem-se entre o domínio das representações e o domínio das mediações.

Com efeito, se o primeiro objetivo do financiamento coletivo procura intervir no domínio das representações, em que se trata de tornar visível o relato histórico-factual que conduziu à vulnerabilidade atual dos Guarani Kaiowá, o segundo está relacionado ao domínio das mediações, em que se trata de resistir à vulnerabilidade por meio da produção de imagens, para funcionarem como registro e como denúncia.

Em todo caso, trata-se de desencadear, a partir das imagens, uma série de efeitos na esfera das disputas territoriais. Você pode ajudar clicando na imagem abaixo e dando sua contribuição até o dia 13 de janeiro de 2014:

Post atualizado no dia 02/01/2014.

Professor de história e teoria do cinema da Faculdade de Comunicação da UFBA, em Salvador. Nascido em São Paulo, de onde saiu aos 9 anos de idade, já morou em Goiânia, Brasília, Florianópolis e Montréal. É pesquisador e crítico de cinema e cultura visual, programador e curador de mostras e festivais de cinema, doutor em Arte e Cultura Visual, com pesquisa sobre cinema e direitos humanos. É indeciso e nervoso, tenta ser leve e cuidadoso, consegue ser magro e comer muito.

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