A música e a pele: Sigur Rós, Dauðalogn (Valtari; 2012)

A música e a pele: Sigur Rós, Dauðalogn (Valtari; 2012)

Quando uma música é capaz de te erguer, de te fazer flutuar, de te fazer voar, como se fosse possível pertencer a ela, morar em suas paisagens, habitar cuidadosamente sua insistente textura de seda, embora aérea.

Quando uma música consegue atravessar sua pele e viajar no vazio sem fundo que ela esconde, porque o mais fundo é a própria pele, e nada há além dos corpos que talvez se entendam fugazmente (nenhuma alma jamais se entende, Manuel, você tem razão, é preciso esquecer a alma para amar).

Quando uma música revolve a memória de outras músicas e ao mesmo tempo abre um clarão imemorial nos olhos, que escorrem seu pequeno sal.

Quando uma música te deixa imóvel, e essa imobilidade é dança.

Nesses momentos, sorriso.

Professor de história e teoria do cinema da Faculdade de Comunicação da UFBA, em Salvador. Nascido em São Paulo, de onde saiu aos 9 anos de idade, já morou em Goiânia, Brasília, Florianópolis e Montréal. É pesquisador e crítico de cinema e cultura visual, programador e curador de mostras e festivais de cinema, doutor em Arte e Cultura Visual, com pesquisa sobre cinema e direitos humanos. É indeciso e nervoso, tenta ser leve e cuidadoso, consegue ser magro e comer muito.

Se você gostou do texto, compartilhe!