a vida das imagens
Claude Lanzmann - Shoah (1985).png

Cinema e História

Oferecida em 2019.1 (código COM 324)

Esta disciplina optativa permite abordar de diversas maneiras as relações entre cinema, imagem e história. Em 2018.2 e 2019.1, propus o recorte temático do projeto de pesquisa Imagem e direitos humanos, visando à apresentação dos fundamentos e dos desdobramentos dos estudos que venho realizando para estudantes de diferentes áreas e cursos.

Imagem retirada do filme: Shoah (Claude Lanzmann, 1985)

 

Data: 18/02/2019

Versão anterior: 18/10/2018

Posts relacionados: 2019.1

Semestres anteriores: 2018.2

Ementa

Relações entre cinema, imagem e história. Cinema e audiovisual em perspectiva histórica. Documento, narrativa e representação. Cinema e audiovisual como escrita da história. Imagem, memória e história.

Obs.: Ementa proposta para atualização do componente. O sistema acadêmico ainda se refere à ementa anterior.

Objetivos

A oferta deste componente em 2019.1 tem como base uma proposta de alteração da ementa registrada, no contexto de uma revisão dos componentes pertinentes à área de concentração em Cinema e Audiovisual, oferecida para estudantes do Bacharelado Interdisciplinar em Artes. Tal revisão faz parte da proposta de atualização do quadro curricular da referida área de concentração, dentro de um futuro curso de dois ciclos em Cinema e Audiovisual.

A ementa registrada atualmente no sistema acadêmico da UFBA estabelece um recorte específico dentro do tema geral a que o nome da disciplina se refere: “A representação do outro no cinema brasileiro entre 1960 e 80. As representações nas produções regionais do cinema brasileiro, como o gaúcho, os praticantes do candomblé, o jagunço embrutecido pelo sertão até o outro da diversidade cultural contemporânea. O cinema no cotidiano das grandes cidades. Os circuitos de cinema no Brasil. Memória e identidade no cinema brasileiro.” Em vez do registro atual, que corresponde ao que se espera do conteúdo programático de um programa, delimitando o itinerário de problemas a serem estudados dentro do tema geral abordado, deve-se considerar, aqui, a proposta de ementa acima, mais geral e aberta a múltiplas possibilidades de recorte de tema e/ou de forma de abordagem.

Considerando as relações entre cinema, imagem e história, tal como se articulam em relação ao campo de discursos e de práticas associadas ao projeto dos direitos humanos, este curso tem como objetivos:

  • Compreender a construção dos direitos humanos em perspectiva histórica, reconhecendo e discutindo seus fundamentos sociais e culturais e suas relações com a história das imagens, com destaque para o cinema e o audiovisual.

  • Identificar, caracterizar e interrogar as principais modalidades de relação entre imagem e direitos humanos, por meio do estudo de diferentes contextos históricos de processos de violação e de reivindicação de direitos humanos, com destaque para o caso paradigmático das imagens dos campos de concentração e de extermínio da Alemanha nazista e seus usos na história do cinema, diferenciando cinco possibilidades que podem se encadear e se combinar: (1) o uso de imagens como registros testemunhais de violações para denúncias; (2) o recurso a imagens como evidências e provas em processos investigativos e jurídicos sobre violações; (3) a reunião de imagens como parte de arquivos sobre violações e lutas por direitos; (4) a mobilização de imagens para o trabalho de memória em torno de violações e lutas por direitos; (5) o papel das imagens em projeções de dignidade, na construção de noções e de representações sensíveis da vida digna.

Observação: os objetivos desta disciplina estão relacionados ao plano de atividades do projeto de pesquisa Imagem e direitos humanos: consciência da humanidade, memórias de violações e projeções de dignidade no cinema e no audiovisual, desenvolvido pelo professor Marcelo R. S. Ribeiro no período de 2017 a 2019.

Metodologia

  • Aulas expositivas e dialogadas.

  • Leitura prévia de textos para discussão em aula.

  • Atividades de estudo dirigido.

  • Exibição comentada de filmes e de trechos de filmes.

  • Uso de quadro para anotações e de projetor multimídia para imagens.

  • Elaboração e apresentação de projetos estudantis.

Avaliação

Processo de avaliação continuada, com desenvolvimento de projetos temáticos, conforme interesses específicos das/os estudantes.

  • Definição de temas a serem estudados no semestre, em grupos de até 4 pessoas.

  • Proposição de projetos a serem desenvolvidos pelos grupos. Possibilidades indicadas: ensaio escrito; ensaio fotográfico (com memorial); ensaio audiovisual (com memorial); artigo acadêmico-científico; projeto de evento (exposição ou mostra, com memorial). As normas específicas de cada tipo de projeto serão estabelecidas quando as propostas já tiverem sido definidas.

  • Designação de leituras e de imagens a serem estudadas e debatidas em sala, como parte do desenvolvimento de cada projeto.

  • Levantamento bibliográfico, filmográfico, artístico e imagético complementar, se necessário.

  • Apresentação dos resultados produzidos por cada grupo no desenvolvimento de seu respectivo projeto temático, juntamente com uma auto-avaliação do processo de desenvolvimento.

  • Avaliação mútua dos projetos apresentados entre os grupos, por meio de comentários escritos, debate em sala e outras modalidades que serão oportunamente estabelecidas.

Conteúdo programático

Unidade 1 – Direitos humanos e imagem

1.1. O projeto cosmopolítico dos direitos humanos: genealogia e história

1.2. A invenção dos direitos humanos em perspectiva histórica

1.3. A história visual dos direitos humanos

1.4. Imagem e direitos humanos na perspectiva de uma arqueologia do sensível

 

Unidade 2 – Cinema, história e direitos humanos: as imagens dos campos

2.1. O filme como fonte e como documento histórico: a abertura dos campos

2.2. O cinema como agente histórico: propaganda, informação e contra-informação

2.3. Documento, contra-análise da sociedade, escrita da história: ver e rever os campos

2.4. Relações com o arquivo dos campos na história do cinema: arquivo, antiarquivo, anarquivo

 

Unidade 3 – Estudos dirigidos sobre imagem e direitos humanos

3.1. Cinema político, cinema de intervenção, cinema militante

3.2. Biopolítica, necropolítica e política das imagens

3.3. Modalidades de relação entre imagem e direitos humanos: estudos de caso

Bibliografia

Bibliografia básica

DIDI-HUBERMAN, Georges. Cascas. Tradução de André Teles. São Paulo: Editora 34, 2017.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Imagens apesar de tudo. Tradução de Vanessa Brito e João Pedro Cachopo. Lisboa: KKYM, 2012.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Remontagens do tempo sofrido – O olho da história, II. Tradução de Márcia Arbex e Vera Casa Nova. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018.

HUNT, Lynn. A invenção dos direitos humanos: uma história. Trad. Rosana Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. Tradução Renata Santini. São Paulo: n-1 edições, 2018. – Versão/tradução alternativa disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/ae/article/view/8993 (acesso em 18/02/2019).

XAVIER, Ismail. A alegoria histórica. In: RAMOS, Fernão Pessoa (org). Teoria contemporânea do cinema, volume I: pós-estruturalismo e filosofia analítica. São Paulo: SENAC, 2005, p. 339-379.

Bibliografia complementar

AGAMBEN, Giorgio. O que resta de Auschwitz: o arquivo e a testemunha (Homo Sacer, III). Trad. Selvino J. Assmann. São Paulo: Boitempo, 2008.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 3. ed. Trad. Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1983.

BRENEZ, Nicole. Informação, contra-informação, ur-informação fílmicas. Revista ECO-Pós, v. 20, n. 2, p. 211-231, 2017. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/eco_pos/article/view/12495. Acesso em: 18/02/2019.

BUTLER, Judith. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? Tradução de Sérgio Lamarão e Arnaldo Marques da Cunha; revisão de tradução de Marina Vargas; revisão técnica de Carla Rodrigues. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

DIDI-HUBERMAN, Georges (org.). Levantes. Tradução de Jorge Bastos, Edgard de Assis Carvalho, Mariza P. Bosco e Eric R. R. Heneault. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2017.

FELDMAN, Ilana. Imagens apesar de tudo: problemas e polêmicas em torno da representação, de “Shoah” a “O filho de Saul”. ARS (São Paulo), v. 14, n. 28, p. 135-153, 28 dez. 2016. Disponível em: http://ref.scielo.org/xgvz9r. Acesso em: 18/02/2019.

FERNANDES, Pádua. Para que servem os direitos humanos? 1a. ed. Coimbra: Angelus Novus, 2009.

FERRO, Marc. Cinema e história. Trad. Flávia Nascimento. 2ª edição, revista e ampliada. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.

HUYSSEN, Andreas. Culturas do passado-presente: modernismos, artes visuais, políticas da memória. Tradução de Vera Ribeiro. 1a edição. Rio de Janeiro: Contraponto / Museu de Arte do Rio, 2014.

LINDEPERG, Sylvie. O caminho das imagens: três histórias de filmagens na primavera-verão de 1944. Revista Estudos Históricos, v. 26, n. 51, p. 9-34, 2013. Disponível em: http://ref.scielo.org/6qz8ky. Acesso em: 18/02/2019.

LÖWY, Michael. Walter Benjamin: aviso de incêndio – uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. Tradução de Wanda Nogueira Caldeira Brant, [tradução das teses] Jeanne Marie Gagnebin, Marcos Lutz Müller. São Paulo: Boitempo, 2005.

MORETTIN, Eduardo; AGUIAR, Carolina Amaral de; CARVALHO, Danielle Crepaldi; MONTEIRO, Lúcia Ramos; ADAMATTI, Margarida Maria (orgs.). Cinema e história: circularidades, arquivos e experiência estética. Porto Alegre: Sulina, 2017.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 2, n. 3, 1989, p. 3-15.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível. Tradução de Mônica Costa Netto. São Paulo: EXO experimental org. / Ed. 34, 2005.

RANCIÈRE, Jacques. O espectador emancipado. Trad. Ivone C. Benedetti. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

RIBEIRO, Marcelo R. S. Do inimaginável. Goiânia: Cegraf/Editora da UFG, 2019 (no prelo).

SEGATO, Rita Laura. Antropologia e direitos humanos: alteridade e ética no movimento de expansão dos direitos universais. Mana - Estudos de Antropologia Social, v. 12, n. 1, p. 207-236, abr. 2006. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132006000100008. Acesso em: 18/02/2019.

SONTAG, Susan. Sobre fotografia. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. Tradução de Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.